sábado, 9 de agosto de 2014

Fluxos de Argentinos e Colombianos - Brasil na Copa do Mundo



Cidades-sede: fluxo de turistas pode crescer em até 20%

A afirmação foi feita pelo ministro do Turismo, Vinicius Lages, em coletiva no Centro Aberto de Mídia de São Paulo. Cerca de 347 mil turistas já passaram pela cidade, segundo levantamento da SPTuris. Os argentinos foram os estrangeiros que vieram em maior número (31,71% do público).
03/07/2014

Ministro do Turismo, Vinicius Lages, durante coletiva no Centro Aberto de Mídia.
O ministro do Turismo, Vinicius Lages, afirmou nesta quinta-feira (3), em coletiva de imprensa no Centro Aberto de Mídia de São Paulo, que a Copa do Mundo representa um divisor de águas para o mercado do turismo no país. O megaevento aumenta a participação do setor no PIB nacional, que atualmente corresponde a 3,7%.
De acordo com Lages, esta é uma das melhores Copas da história. “Provamos que somos capazes de realizar um evento desse porte e já estamos trabalhando para aproveitar o legado para consolidar o turismo no Brasil como um eixo importante de desenvolvimento”, disse.
O ministro destacou a tendência de aumento de fluxo de turistas nas cidades-sede em até 20%, de acordo com pesquisas feitas em outros países que sediaram o Mundial. Para ele, a oportunidade de sediar eventos de grande porte deve estar associada a uma política estratégica de desenvolvimento de longo prazo, similar à estratégia do agronegócio na década de 70. “O Brasil é um destino de alta aceitação no mercado e vamos vendê-lo cada vez melhor. Apostamos muito também no crescimento do turismo interno”, disse.
No evento, o secretário municipal para Assuntos de Turismo de São Paulo, Wilson Poit, apresentou um estudo que aponta um aumento de 20% na visitação dos principais atrativos turísticos da cidade.
AUMENTO DE TURISTAS
Segundo levantamento feito pela SPTuris, divulgado na coletiva, a estimativa é que, na primeira fase da Copa, 347 mil turistas já passaram por São Paulo, sendo 121 mil estrangeiros (34,91%). A Argentina foi o país que mais enviou torcedores para a capital (31,71%), seguida por Chile (17,77%), Uruguai (8,01%), Colômbia (5,05%), Estados Unidos (4,18%), Inglaterra (4,18%), Holanda (3,48%), México (2,61%) e Bélgica (1,74%). Essa é a terceira prévia da Pesquisa de Demanda e Perfil do Torcedor da Copa do Mundo em São Paulo, realizada por meio do Observatório do Turismo.
“O Brasil se encontrou com o seu continente ao receber um grande número de argentinos, colombianos, chilenos, que não são os mesmos que costumam ir ao litoral catarinense. Esse público se ampliou. A aprovação de americanos, ingleses, italianos também tem sido muito elevada”, disse o secretário.
Segundo o levantamento da SPTuris, 73,1% dos turistas deu nota entre 7 e 10 para o Mundial na cidade. Os itens mais bem avaliados foram hospedagem, vida noturna/bares e gastronomia.
A ocupação média nos hotéis em São Paulo ficou em 64%, sendo que na véspera e durante os dias de jogos na cidade o indicador chegou a 75%. O impacto econômico da Copa no turismo da cidade também subiu. A previsão de gastos dos turistas inicialmente era de R$ R$ 1,8 mil por visitante no período. Porém, os gastos estão em R$ 2,2 mil (brasileiros) e R$ 4,8 mil (estrangeiros).
Além disso, os visitantes também estão ficando mais tempo na metrópole paulistana: turistas nacionais permanecem em média 4,4 dias e os internacionais, 8,2 dias. Com isso, a previsão é que o impacto da Copa no turismo da cidade supere a estimativa inicial de R$ 700 milhões, podendo chegar a R$ 1 bilhão.
Os principais atrativos turísticos da cidade tiveram um aumento médio de 20% na visitação, com destaque para o Museu do Futebol, que recebeu mais de 3 mil turistas internacionais somente no dia 21 de junho (a média é de 56 estrangeiros por dia). Juntos, MASP, Museu da Língua Portuguesa e Museu do Futebol receberam mais de 60 mil pessoas de 12 de junho até hoje.


ARGENTINA


Fluxos de Argentinos Para o Brasil

De avião, ônibus, carro, motor-home e tudo mais que se mova, uma multidão de torcedores argentinos prepara uma invasão sem precedentes ao território gaúcho. Os primeiros integrantes da onda azul e branca criada pela Copa já estão na Capital, mas nos próximos dias o fluxo de hermanos deverá alcançar um patamar histórico superior a 50 mil pessoas. Não há registro recente de uma multidão tão grande, saída de um único país, para um evento específico no Estado.

Todos os anos, milhares de turistas do Prata cruzam a fronteira em busca das praias brasileiras — mas se distribuem ao longo de vários meses e se espalham pela costa. Às vésperas da Jornada Mundial da Juventude do ano passado, uma cifra próxima de 50 mil argentinos ingressou no Estado, mas apenas de passagem para o evento no Rio. Durante o Fórum Social Mundial de 2005, quando 155 mil pessoas participaram do encontro, a maior delegação estrangeira também era argentina. Mas um dos organizadores, Jeferson Miola, afirma que a presença dos vizinhos não chegava "nem perto" da expectativa atual.
— Essa é a primeira oportunidade que deveremos ter de receber tanta gente de um mesmo país para um evento — avalia o secretário estadual do Turismo, Márcio Cabral.
É difícil prever quantos torcedores da "celeste y blanca" viajarão a Porto Alegre para o jogo contra a Nigéria, na quarta-feira. Cerca de
18 mil argentinos compraram ingressos, e a Fifa estima que pode haver, em média, dois acompanhantes sem acesso ao estádio para cada turista com bilhete — o que resultaria em 54 mil viajantes. Mas a imprensa argentina acredita que essa cifra possa ser ainda maior: o jornal
La Nación estima que até cem mil turistas poderiam aproveitar o clima do Mundial no Estado motivados pela proximidade geográfica.
Parte deles já está no Brasil, como os cerca de 50 mil que ocuparam o Rio no jogo de estreia. Outra fração está atravessando a fronteira. Conforme a Polícia Federal, desde 1º de junho, 22,4 mil estrangeiros já ingressaram no Brasil pelos sete pontos de fronteira no Estado e pelo aeroporto Salgado Filho. Desse total, a maior parcela é de argentinos — 8,6 mil pessoas (38,4%). Como resultado dessa migração, a ocupação na rede hoteleira de Porto Alegre, que se encontra atualmente em cerca de 50%, deverá se aproximar do esgotamento em seus 10 mil apartamentos.
— Acreditamos em algo superior a 95% de ocupação. Só não deve chegar a 100% porque os argentinos conhecem bem o Estado e muitos poderão procurar acomodações alternativas, como casas e campings — afirma o presidente do Sindicato de Hotéis de Porto Alegre, Carlos Henrique Schmidt.
O impacto na hospedagem deverá se estender a um raio de cem quilômetros da Capital, segundo a Secretaria Estadual do Turismo. Em Osório, um camping no Parque de Rodeios Jorge Dariva deverá receber 150 motor-homes. A maioria deverá ser de argentinos.
Os números da ocupação
18 mil argentinos compraram ingressos para ver o jogo de quarta-feira.
54 mil viajantes da Argentina são esperados pela Fifa, mas a imprensa local aposta em até cem mil.
27 voos extras estão previstos da Argentina para a Capital gaúcha.
17 ônibus lotados chegarão entre sábado e segunda-feira, em vez de os seis habituais.
À espera de reforço
Marcelo González, 41 anos, dirigiu por 30 horas, desde Córdoba. Veio com um amigo e com diversas entradas para Argentina x Nigéria. Pretende bancar a viagem com os bilhetes adquiridos no site da Fifa que espera vender na fan fest, durante Argélia x Coreia do Sul, domingo.
— Você acha que R$ 100 por ingresso é um preço justo? — perguntou a outro torcedor argentino, que havia chegado uma semana antes à capital gaúcha.
— Acho que sim — respondeu.
Por enquanto, González dormirá no carro, pois ainda não conseguiu hotel. Torcedor do Talleres, ele aguarda reforço:
— Porto Alegre vai virar uma cidade argentina. Muitos já chegaram e milhares virão depois do fim de semana.
Sem ingresso, mas feliz
Uma rápida caminhada pela fan fest de Porto Alegre e se tem a impressão que Córdoba é a cidade que mais enviou argentinos. O perito Domingo Torres, 47 anos, tem ingresso para Coreia x Argelia.
— O bonito do Mundial é essa integração entre as pessoas. Isso é a Copa, não apenas um jogo.
Torcedor do Belgrano, ele foi ao Rio para a estreia da Argentina. Sem ingresso, fez amizade com uma família carioca e assistiu ao jogo com ela, sobre uma laje, na comunidade do Boa Ventura.
— Assisti à Argentina comendo frango e chuleta com eles. Tentei pagar, não aceitaram. E ainda me deram uma manta do Brasil. Fiquei comovido. Nem na Argentina nos tratam tão bem — explicou o perito.
Para celebrar o Mundial
O comerciário Diego Borfch, 27 anos, chegou de Buenos Aires na sexta. Veio de avião, com três amigos. Exibindo uma peruca, que mais parecia uma releitura do cabelo do colombiano Valderrama, e com uma bandeira da Argentina às costas, ele quicava ao som de rappers na fan fest. A latinha de cerveja na mão e os alaranjados óculos de sol resumiam o que será a Copa do hincha do Boca Juniors:
— Vamos celebrar o Mundial, o futebol, a cerveja e as mulheres.
O portenho acredita que a maioria dos patrícios virá em paz:
— Essa má fama é culpa dos barrabravas. Mas espero que não venham, todos estão se divertindo.



COLOMBIA



Fluxos de Colombianos no Brasil


Manaus

Para atender os turistas colombianos que passarão pelo Acre para assistir os jogos da Copa do Mundo, a Secretaria de Turismo e Lazer (Setul) concedeu espaço para a instalação da embaixada colombiana em Rio Branco, durante a Copa. A estrutura foi montada no prédio da secretaria e deve prestar serviço a estes turistas. De acordo com a Setul, 10 mil colombianos devem passar pelo Acre durante o período de 12 junho a 13 de julho. O cônsul da Colômbia em Manaus (AM), Raul Romero, está no Acre e deve permanecer até a próxima semana no estado.
A secretária de Turismo, Rachel Moreira disse que o espaço foi solicitado pela própria embaixada. "A Colômbia foi um dos países que mais adquiriu ingresso para a Copa do Mundo e muitos desses torcedores vão entrar pela Carretera Interoceânica. Estamos montando uma estrutura para atender essas pessoas, agilizar procedimentos, problemas em documentação e outras demandas", explica.
Para a secretária, o Acre será porta de entrada para o Brasil, sendo o primeiro estado pelo qual estes turistas irão passar. Ao todo, a Setul estima uma circulação de mais de 20 mil turistas durante os jogos da Copa do Mundo. Com isso, Rachel acredita que os impactos tendem a ser positivos na economia do estado.
"Os serviços que os turistas podem utilizar no Acre impactam no turismo, que é formado aproximadamente por 52 atividades. Ou seja, eles podem não parar aqui, mas devem passar para abastecer carros,  frequentar bares, hotel, e outras variedades dessa cadeia turística", salienta.
O cônsul da Colômbia em Manaus, Raul Romero, veio ao estado para acompanhar a instalação do espaço e garantiu parceria com as autoridades acreanas para prestar apoio aos colombianos. "O governo colombiano está interessado em trabalhar com as autoridades brasileiras para que nós possamos resolver qualquer problema que possa surgir aos colombianos durante estes jogos do mundial", destaca.
Romero deve ficar no Acre até a próxima terça-feira (10) e depois seguir para Manaus (AM), onde trabalha e representa o governo da Colômbia naquele estado. A Setul informou que o fluxo de colombianos começou a intensificar na tarde desta quarta-feira (4) e que o cônsul deve acompanhar este trabalho nos seus primeiros dias.
Em uma estimativa, Rachel diz que já foi informada sobre um número aproximado de turistas que devem passar pelo estado acreano. De acordo com a secretária, o Acre deve receber, aproximadamente, 400 pessoas do Chile, que devem chegar na capital transportadas por 200 motorhomes, 15 mil peruanos, 8 mil equatorianos e 10 mil pessoas vindas da Colômbia.
Rachel destaca também que, apesar das seleções do Peru e Bolívia não estarem disputando o título mundial, moradores desses países também devem chegar ao Brasil, através do Acre, para assistir a Copa.
O governo, nesta semana, iniciou um projeto para ornamentar espaços públicos com as cores do Brasil, a iniciativa pretende, segundo Rachel, recepcionar os turistas e deixá-los em clima de Copa.
"Eles estão vindo assistir jogos, mas nosso objetivo é fazê-los voltar mais vezes ao nosso estado. Há dois meses recebemos uma equipe de televisão da Colômbia e acredito que isso fortaleceu para que essa estrutura fosse montada. Nós não fazemos o turismo, mas fomentamos, damos condições para que a iniciativa privada possa crescer, se desenvolver e gerar renda", ressalta.

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